Como Mandela deve ser lembrado?

Por Wagner Vargas

Dissertar sobre uma autoridade moral inconteste— ou um grande líder— para a maioria é uma tarefa hercúlea e exige responsabilidade adicional ao de costume. O símbolo e o status de herói são muito mais que fonte inspiração, já que a morte recente exalta todos os tipos de emoções possíveis, até dos que sequer sabiam o nome do homenageado em questão e,portanto, uma vírgula fora do aprovado pelos “doutores do senso comum” pode ser enraivecedor, rendendo ao escriba adjetivos pouco acolhedores.

Sem enaltecer e sem denegrir: ícones são de carne e osso e tem seu valor — caso contrário não se tornariam referência, ainda que seu valor seja apenas o discurso, como é o caso de meia dúzia de famigerados estadistas brasileiros que, até hoje, insistem em apoiar ditaduras, inclusive africanas— e, apesar do proselitismo, a perfeição é, ainda, desconhecida pelos que, aqui, habitam.

Preso por 27 anos, Mandela sempre vai ser lembrado como símbolo de luta contra a opressão sofrida pelos negros e como ícone de liberdade— apesar de ter militado em movimentos comunistas. Venceu a luta contra o Aphartheid e, quando primeiro presidente democrático, optou pelo perdão aos opressores antigos. Pregador a paz ou “injusto” por não sugerir devida punição de apoiadores do antigo regime, o fato é que ele foi original e seguiu suas convicções em não corroborar o já eminente ódio racial.

Questões, ainda obscuras, como sua suposta proximidade com a família Rockfeller e o peso dela para sua saída da cadeia nos anos 90, fizeram com que publicações, como a The New Republic classificassem como “complicada” a concessão das minas de diamante do país aos Rockfeller, cedidas pelo reconhecido combatente da opressão racial, quando chefe de Estado.

Há, ainda, a “surpresa” da carta de Mandela, que emitia ressalvas sobre o filme Diamante de Sangue, já que visão de estadista prevalecia à de romântico lutador, o que, talvez, tenha sido um posicionamento responsável, dada à importância econômica do setor para o país e a repercussão de suas palavras como ex-presidente. Por outro lado, a ocasião, também, pode ser mal vista, já que o documento poupa The Beers e outras empresas de críticas aos atos análogos à escravidão, cometidos por algumas delas no período que relata o filme. E dar o benefício da dúvida sobre os reais interesses da ação do, então, líder pode ser o melhor caminho e, ainda sim, não farão sequer uma gota em seu legado de combate a opressão contra os negros— ainda que tenha sido amigo de assassinos como Saddam Hussein,Yasser Arafat e Fidel Castro .

O Oportunismo das minorias
Sem canonizar— mas, também, considerando que críticos estejam munidos calúnias— o que nos interessa é que, se lenda ou farsa, uma imagem pública não seja cooptada por militantes do “coitadismo”, presente em movimentos de minorias do Brasil, os mesmos prosélitos da lógica non sense de “dívida social” e da prática da intolerância racial, discursando em prol da igualdade. A escravidão, infelizmente, sempre existiu e a questão étnica como segregacionista surgiu de forma pontual, já que a escravidão e venda de pessoas de caráter “intra-racial” fez parte da triste realidade africana, inclusive, e é algo tão espúrio quanto o preconceito inter-racial que ainda mancha os dias atuais.

Ser contra o Racismo é, também, não promover o ódio a outras raças bem como não fazer demagogia, endossando ações promovam a quitação de dívidas coletivas do passado por descendentes que se quer haviam nascido—como a questão das cotas—; Que o culto à figura de Mandela, dos próximos dias, não desperte o proselitismo oportunista dos anjos estadistas que delegam a própria responsabilidade individual ao Estado, como se isso fosse algo bom para as pessoas.

Muito óbvio dizer tudo isso? Pode ser! Mas, num país que, ainda, tem Marighella e Che Guevara como heróis, pode-se se esperar de tudo. Arrisco dizer que nem Nelson Mandela, quando comunista, gostaria de ver seu nome e imagem— agora, eternizados— associados ao ódio e intolerância dos “auto-vitimizados” líderes das minorias daqui, ainda que seja em combate ao racismo.

Como diria o filho do Brasil e eterna vítima operária: “uma parte da história da Dilma me lembra muito a do Mandela”; Que Deus o livre dessa, para que, realmente, descanse em paz. 

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About Wagner

Jornalista, trabalha com assessoria de imprensa e comunicação estratégica; escreve artigos de sobre política econômica para o Jornal Imprensa e é articulista jovem do site do Instituto Millenium. Jornal Imprensa: http://jornalimprensa.com.br/ Instituto Millenium: http://www.imil.org.br/ facebook: http://www.facebook.com/profile.php?id=100002044718065 E-mail: wagneraugusto.vargas@gmail.com

Posted on Dezembro 7, 2013, in Uncategorized. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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