O Pré-sal é deles!

Por Wagner Vargas

Há alguns anos, em alto mar, o filho do Brasil marcou as costas da mãe do PAC com as mãos sujas de petróleo. Esta linda festa foi para comemorar uma grande descoberta: o bilhete premiado do Brasil.

Abaixo da água do mar, da camada pós-sal, da camada de sal, antes do sal (Pré-sal), em rochas de cerca de 7.000 metros abaixo do solo, estimava-se abundância de petróleo a gerar vultosos investimentos em educação, saúde e para amenizar as desigualdades sociais. Além disso, a oportunidade de conhecer uma riqueza inenarrável que, nunca, antes, na história deste país, um governo teve a oportunidade de explorar: o slogan “o Pré-sal é nosso”.

Em 7 de setembro de 2009, a independência foi decretada por Dom Lula em rede nacional.Tal marca foi grande passaporte. Para o Brasil? Ainda não sabemos. Mas para o poder, com certeza, foi.

Dando continuidade a tática de seu guru, Dilma iniciou sua campanha eleitoral, na última segunda feira (21/10), também, em rede nacional— em um espaço público, obviamente. Durante o pronunciamento oficial, a mensagem era clara: “acalmem-se, podem continuar com a privatofobia de vocês, não privatizei nada, o Pré-sal é nosso”. Um grande papelão!

Complicado foi explicar aos brasileiros que o leilão de Libra, estimada maior reserva de petróleo nacional, foi uma maravilha. Haja habilidade! Dilma teve, apenas, 10 minutos para tentar transformar o fracasso em sucesso, já que as grandes empresas do setor— BHP, Exxon Mobil, Chevron, Repsol e Statoil—fugiram do leilão. Das 40 esperadas, apenas 4 se interessaram e todas compondo um único consórcio, sendo duas estatais chinesas — CNPC e CNOOC (que vão representar os interesses do governo “democrático” chinês)— a anglo-holandesa, Shell, e a francesa, Total.

Em meio a vômitos numéricos, Dilma provou ser não só uma especialista no mercado petrolífero, bem como apresentou suas habilidades como clarividente. Ela já sabe o número exato de quanto petróleo tem em Libra, o tempo e o ritmo da exploração, o quanto será investido e o valor do barril dos próximos 35 anos. Ela já tem certeza que o Petróleo vai continuar ocupando o mesmo espaço atual no mercado energético, o óleo de xisto que se cuide.

O governo já sabe até o quanto o país vai lucrar com tudo isso e aproveitou as informações “confidenciais” para dividir o que vai para a educação e o que vai para o combate à pobreza— cerca de R$ 600 bi e R$ 300 bi respectivamente. Não é demais? É de dar inveja a qualquer estrangeiro por não ter uma “governanta” com as mesmas habilidades.

Aqueles que gozam de um pouco de bom senso, sabem que um leilão de um único concorrente, arrematado pelo valor mínimo, não é bem um sucesso e a lambança que o governo criou, por motivos ideológicos, foi tamanha que colocou interesses da união e da Petrobrás em situações conflitantes.

Se para o governo, quanto maior o lance, maior o lucro da operação. Para a Petrobrás, um lance alto, traduzia-se em mais encargos, já que a participação da empresa é obrigatória de, no mínimo, 30%. Pois é, os brasileiros têm de comemorar o arremate no valor mínimo, talvez foi isso que Dilma quis dizer ao classificar a licitação como um sucesso, foi uma espécie de “Ufa podia ter sido muito pior”. Se os chineses ou as empresas privadas aumentassem a oferta, aí sim, teríamos que contar com os poderes sobrenaturais do planalto no caixa da Petrobrás ou com a contabilidade criativa do Ministro Mantega, já que o posicionamento atual é de não reajuste ao valor do combustível.

Infelizmente, as previsões de Dilma são tão certas quanto à antecipação dos números da loteria. A única certeza é que as empresas terão pagar o bônus de R$ 15 bi ao governo no próximo mês e que 40% deste montante, R$ 6 bi, sai do da Petrobrás, que já é a empresa mais endividada do setor (R$ 240 bi). Caso a companhia receba aportes do tesouro para pagar a conta, adivinha quem vai colocar a mão no bolso, sr. (a) contribuinte?

Nacionalismo Pueril
Para “melhorar” a situação, boa parte das empresas e materiais a serem contratados são nacionais. Ora, mas o que isso traz de bom para o brasileiro? O leitor costuma vibrar quando vai ao supermercado e vê uma empresa nacional na prateleira, em destaque? Ou prefere buscar o melhor produto, ao preço menor?

Obrigar que 60% dos equipamentos para a extração do pré-sal sejam nacionais, apenas, favorece certos grupos empresariais, tornando-os isentos da competição com empresas mais eficientes e de investir em inovação e buscar preços competitivos. Assim, também, não vai lhes custar nada dar uma ajudinha para o caixa de campanha, outrora, não é mesmo? O governo ganha votos e o status de que está fazendo algo pelo Brasil.

Para quem enxerga a privatização como transferência de riqueza pública para o bolso privado, sinto lhes dizer, mas os companheiros Petistas não precisam do setor privado para isso. A transferência de muitos recursos públicos para o bolso de poucos vai continuar sendo feita enquanto as pessoas não entenderem que um ativo nas mãos do Estado nem de longe é sinônimo de algo nas mãos do Povo.

O Estado é apenas um grupo de pessoas de interesses individuais, assim como as empresas. A diferença é que os estadistas não estão administrando o próprio patrimônio, portanto, a eficiência e o lucro não são prioridade. Ademais, um picareta não depende da população, mas, apenas, que seus marketeirosescrevam belos discursos, a terem efeitos nocivos na ingenuidade de milhões de idiotas que os perpetuarão no poder.

Para fechar, um belo discurso feito de um marketeiro para uma campanha eleitoral em espaço público: “meus amigos e minhas amigas (acalmem-se) o Pré-sal, é nosso!”. Muita gente ainda não entende que para o PT partido e Estado são a mesma coisa, o que cobre esse discurso de razão, pois, realmente, o Pré-sal é deles (companheiros), o custo é que nosso!

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About Wagner

Jornalista, trabalha com assessoria de imprensa e comunicação estratégica; escreve artigos de sobre política econômica para o Jornal Imprensa e é articulista jovem do site do Instituto Millenium. Jornal Imprensa: http://jornalimprensa.com.br/ Instituto Millenium: http://www.imil.org.br/ facebook: http://www.facebook.com/profile.php?id=100002044718065 E-mail: wagneraugusto.vargas@gmail.com

Posted on Outubro 28, 2013, in Uncategorized. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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