O politicamente correto e os agentes da Ignorância

Por Wagner Vargas para o jornal Imprensa do dia 01/06

O politicamente correto está em evolução constante e os “anjos” que se autointitulam defensores das minorias estão conseguindo impor determinadas restrições que estão transformando a sociedade atual na era do eufemismo, com tamanha inversão de valores que ultrapassaram, há tempos, as barreiras do bom senso e os níveis máximos de hipocrisia. As últimas vítimas dos agentes do politicamente correto— ávidos por uma “graninha” com processos judiciais— foram os humoristas Marcelo Tas e Ronald Rios por piadas com portugueses; o jogador Neymar por ter encenado comercial em que se exibe de cueca para as mulheres e se esconde, quando o comprador é um rapaz; e a classe média que é “elitista, fascista, burra e neoliberal”, segundo a “filosofia” da senhora Marilena Chauí.

Discriminar as pessoas apenas por sua opção sexual, raça, classe social é algo absurdo e quem o faz responde por isso criminalmente, quer seja por violência física, injúria e etc, muito antes dos LGBT´s, das comunidades negras e dos intelectuais e artistas que dizem brigar por esta causa. O preconceito, sem juízo de valor, é, simplesmente, um conceito pré-estabelecido de algo ou alguém. Deste ponto de vista, todos nós somos preconceituosos ao planejarmos uma ação, estabelecermos uma impressão de outrem por conta de suas habilidades e características, sem conhecer a pessoa de verdade. Entrevistas de emprego são preconceituosas, pois os avaliadores não conhecem a fundo (nem tem tempo para isso) as pessoas que ali estão, apenas estabelecem conceitos pré-concebidos de acordo com suas impressões e com o que a pessoa aparenta ser naquele instante, o que, não necessariamente condiz ao que a pessoa seja de verdade. E isso é errado? Quem acha que é, deveria montar a própria empresa e buscar, apenas, pessoas que conhece a fundo e têm profunda amizade, para trabalhar e depois nos contar o resultado, que duvido muito que seja positivo.

O problema do preconceito é quando ele se torna a principal referência e justificativa para a descriminação, racismo e homofobia que são péssimas formas de manifestação preconceituosa que não servem de prevenção e informação a nada e apenas disseminam ódio. Tão condenáveis quanto esses três exemplos de preconceito são as ações daqueles cidadãos, grupos organizados e etc— igualmente preconceituosas—, que valem-se de uma causa aparentemente correta para impor restrições a liberdade de expressão como essas acusações aos humoristas do CQC que brincaram com a inteligência dos portugueses e o “bigode” das lusitanas.  Marcelo Tas já foi processado por ter cometido esses “absurdos” anteriormente, ao citar, ao vivo, a indiferença entre uma prostituta e uma atriz pornô. Muito desatento, ele se esqueceu que a primeira cobra sem autorizar a filmagem, o que é uma tremenda falta de profissionalismo, aí está a grande diferença.

Outra forma que essa tropa do politicamente correto tem atuado firme é na obtenção de privilégios e na distorção de dados, como a promoção das cotas raciais — que, se tivessem mesmo que existir, deveriam ser por renda e não por cor da pele. Ah sim, temos uma dívida social com os negros, só não citem sobre as evidências históricas de que Zumbi dos Palmares também tinha escravos negros e que os próprios negros africanos embolsavam valores polpudos e eram responsáveis por vender seus colegas para os traficantes de pessoas daqui, que isso pode dar problema, melhor esquecer esses fatos.

Outro exemplo clássico de distorção de dados são os alardes aos assassinatos de homossexuais. Em conversa com meu amigo Pedro Henrique Valentim, jovem gestor de uma empresa de consultoria multinacional, não conseguimos entender até agora o porquê toda a divulgação de mortes desse grupo dá a entender que foi por conta da opção sexual dos mesmos. Segundo o Grupo Gay da Bahia (GGB), corriqueira fonte de mortes da comunidade gay, foram 338 mortes em 2012 no Brasil. Ou seja, cerca de 0.5% do total de homicídios do País. Em meio a brigas no trânsito, alcoolismo, drogas, bala perdida, roubo, e mais dezenas de outras causas qual o sentido de achar que foram assassinados só por serem gays?

Não se pode dizer mais nada: não é negro, é “afrodescendente”; não é gay, é “pessoa que mantém laços homo afetivos”; não é travesti, é “transmulher”, foi bom ter escrito logo sobre isso, antes que também seja crime falar sobre o assunto. Vamos esconder também, Leandro Narloch, Luiz Pondé e outros intelectuais que mexem nesse “vespeiro”, afinal, temos Chicos Buarques, Sakamotos, Zés de Abreu e Marilenas Chauís para defender o “bem” e privar nossa sociedade dos demais “burros”, “fascistas” e “neoliberais” da classe média que pensam diferente desses quatro “gênios”.

 

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About Wagner

Jornalista, trabalha com assessoria de imprensa e comunicação estratégica; escreve artigos de sobre política econômica para o Jornal Imprensa e é articulista jovem do site do Instituto Millenium. Jornal Imprensa: http://jornalimprensa.com.br/ Instituto Millenium: http://www.imil.org.br/ facebook: http://www.facebook.com/profile.php?id=100002044718065 E-mail: wagneraugusto.vargas@gmail.com

Posted on Junho 1, 2013, in Uncategorized. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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