“A missão do político não é agradar todo mundo”, Thatcher.

Por Wagner Vargas para o jornal imprensa do dia 13/04

A moeda comum europeia está destinada ao fracasso, política e socialmente, apesar de o tempo, a ocasião e as consequências disso ainda serem incertas. A partir dessa sábia e visionária afirmação feita por Thatcher sobre o euro nos anos 90, começo a descrever uma pequena parte do legado, tão longo e marcante, quanto exemplar, deixado pela ex- Primeira Ministra Britânica, Margareth Thatcher, então, conhecida como Dama de Ferro.

Diferente dos nossos atuais governantes, Thatcher herdou, em seu primeiro mandato em 1979, uma verdadeira herança maldita, um país quase socialista e fracassado que vivia, vergonhosamente, sob ajuda do FMI, com inflação altíssima de 25%, excessivos gastos públicos, com uma burocracia asfixiante e dominado por máfias e grupos de interesse, organizados em formato de sindicatos. Apesar da semelhança, leitor, agora, estamos falando da Inglaterra da época não do Brasil atual.

Aludir, apenas, o caráter visionário de suas ideias é tão reducionista, quanto lembrar apenas que ela foi a primeira mulher a assumir o mais alto escalão de governo na Inglaterra, até porque ela nunca se valeu dessa bandeira na política. Thatcher implementou reformas estruturais efetivas em busca de um novo modelo de sociedade e obteve um grande logro pela maioria de suas iniciativas, principalmente no combate a inflação e à máfia dos sindicatos.

Apesar de reflexo direto no aumento do desemprego a curto prazo, essas medidas não só surtiram efeito na redução drástica dos gastos públicos e da inflação, como foram alicerce para a modernização e dinamização da economia e do mercado de trabalho locais. Também vale citar nessa boa composição, medidas como a flexibilização das leis trabalhistas, as privatizações de setores estratégicos e o fechamento de estatais ineficientes e que não davam lucro. Tudo isso fez de Thatcher umas das principais responsáveis pela propagação dos valores como empreendedorismo, meritocracia, desregulamentação e do império da lei, via Estado de direito.

Ademais, quem, além dela, teria a coragem não só de criticar, mas de impedir a entrada de seu país no Euro, num momento em que todos sonhavam com o estágio máximo de um bloco econômico (união monetária) e achavam que esse era o elixir da prosperidade? Pois é, esse mesmo elixir hoje é, simplesmente, o principal motivo da crise europeia e os alemães pagam, até os dias de atuais, por terem aceitado se igualar economicamente a países com realidades completamente diferentes, moedas mais fracas e com inflações mais altas.

Alguns falaciosos preferem, ainda, criticar a influência de Thatcher, afirmando que a crise de 2008 foi por conta da desregulamentação financeira, quando, na verdade, o que se tinha nos EUA era uma má regulação e não a falta dela, sendo que o governo foi um dos principais culpados pela mesma.

Thatcher percebeu e implementou, também, aquilo que o economista francês Bastiat já afirmava: “o estado é a grande ficção pela qual todos tentam viver às custas de todos os outros”. Ou seja, que o estado tem, sim, um papel essencial em uma sociedade, mas como regulador de contratos, fiscalizador e mantenedor de um ambiente seguro e não burocrático para a realização e criação de novos negócios.

No entanto, não é do estado que sai a prosperidade, como pensam alguns governantes, não é por meio dele ou da canetada de um burocrata que se escolhe se um país vai ser rico. Se, assim, fosse, União soviética, Cuba, Venezuela, Argentina seriam sustentáveis por suas próprias pernas e, até hoje, superpotências. A própria China que é um caso diferente de tudo que já se viu, só começou a despontar quando entendeu o poder de seu mercado consumidor aliado ao baixo custo e incentivos às grandes corporações.

Infelizmente, existem poucos políticos com a mesma coragem, no Brasil, mesmo, temos um péssimo exemplo de governo há 10 anos, em âmbito Federal, que, sob o medo de perda de popularidade, já mudou de palavra e atitude com a mesma velocidade e intensidade que o vento e o mar mudam de curso. E o resultado? Temos serviços públicos que funcionam no Brasil?  Fechamos ano passado com um PIB risível, senão trágico, gastos públicos altíssimos, inflação crescente e com uma tributação e burocracia absurdas. Tudo por conta de um populismo barato e de um estado cada vez mais babá. Isso é bom para quem, para o povo ou para o partido que está no poder?

Para quem reclamar ou estranhar a grafia da palavra “estado” com “e” minúsculo, segue uma boa justificativa: http://veja.abril.com.br/140307/cartaleitor.shtml

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About Wagner

Jornalista, trabalha com assessoria de imprensa e comunicação estratégica; escreve artigos de sobre política econômica para o Jornal Imprensa e é articulista jovem do site do Instituto Millenium. Jornal Imprensa: http://jornalimprensa.com.br/ Instituto Millenium: http://www.imil.org.br/ facebook: http://www.facebook.com/profile.php?id=100002044718065 E-mail: wagneraugusto.vargas@gmail.com

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