O petróleo é nosso?

 

Por Wagner Vargas para o Jornal Imprensa do dia 16/02

Pelo menos no discurso nem mesmo o governo Federal discorda que uma empresa como a Petrobrás tem de ser eficiente, chegando a citar a “tão sonhada” autossuficiência do Brasil, trazida por supostos bons ventos da descoberta do Pré-sal. No entanto, na prática, isso tem sido minado, já que a Estatal é utilizada como objeto de manobras políticas com a finalidade de manipular os índices de inflação e promover uma indireta compra de votos. Dos meios artificiais, até o controle de preços dos combustíveis ocorreu, mantendo-os fortemente defasados em relação ao mercado internacional e com argumentos de que o foco era “agradar” a população, mas sem muito alinhamento com a realidade.

Em primeiro lugar, é válido destacar que não existe consumidor que fique feliz por pagar mais caro em um serviço ou produto e a busca pelo melhor produto ao menor preço faz parte da lógica da eficiência, algo que obriga a empresas, em busca do lucro, a competirem entre si pela conquista do consumidor (a eficiência de uma empresa não depende da caridade dos empresários como já apontava Adam Smith no Séc. XVIII). Apesar de insuficiente, em função da defasagem, o reajuste de 6,6% para a gasolina e de 5,4% para o diesel, autorizado pelo governo em janeiro, obviamente, não deixa nenhum brasileiro feliz, no entanto, foi justamente este controle nos preços e o excesso de ingerência política do governo federal que ofuscaram a competitividade do setor e fizeram com que a Petrobrás registrasse um prejuízo de R$ 1,3 bilhão no 2.º trimestre de 2012 e vem fazendo que com a gasolina, ainda sim, seja cara, apesar da qualidade não tão boa em relação a outras nações.

De acordo com a Bloomberg, a rentabilidade da Petrobrás (9.7%) nos últimos 12 meses está muito abaixo da média de empresas internacionais do mesmo porte como: CNOOC (29.4%), Statoil (28.7%), Chevron, (23%), Exxon Mobil (25.8%) dentre outras; Sem contar que a estatal Brasileira apresentou queda na produção de petróleo e no lucro, de 2,3% e 36%, respectivamente, em 2012; A norueguesa Statoil é um exemplo de empresa estatal com visão análoga à gestão privada, com foco no lucro, em que não há registro de ingerências políticas em questões técnicas e os números denunciam essa diferença.

Ademais, o próprio relatório anual da Petrobrás em 2011 aponta que as ações da empresa caíram 15% nos últimos 5 anos, período esse em que o Ibovespa obteve alta de 30%. Já, nos últimos 3 anos, a empresa brasileira perdeu 40% do seu valor de mercado e  também perdeu  posição no ranking das maiores empresas da América Latina, sendo ultrapassada pela Colombiana Ecopetrol, avaliada hoje em US$ 130,1 bilhões. Em 2010, o valor de mercado da Petrobrás era de 199,3 bilhões, atualmente, o mesmo despencou para US$ 119,9 bilhões.

Nada cai do céu e se existe alguma pessoa ou entidade capaz de gerar riqueza, esse “alguém” não é o governo e, menos ainda, vai fazê-lo em uma simples canetada que, muitas vezes, apenas adia um custo ainda maior. Tudo tem um ônus e, a grosso modo, nenhum Estado possui recursos próprios, eles apenas  administram e direcionam os recolhimentos do contribuinte, feitos via tributos, que, além de altos, são compulsórios e os Estados  que  acreditam que seus recursos naturais vão salvá-los de todos os problemas– Irã, Arábia Saudita,Iraque, Nigéria, Rússia e Venezuela–, não são lá melhores exemplos de sociedade organizada, pois flertam com autoritarismo, diferente dos ricos Cigapura e Hong Kong, países  estes em que o índice de liberdade econômica e o crescimento são altos, apesar dos poucos recursos disponíveis. Esse cenário evidencia que as ações dos indivíduos e dos próprios governantes, que sabem se colocar em seu devido lugar, têm mais importância para a prosperidade do que àqueles que são fartos em riquezas naturais.

Enquanto o Brasil continuar sendo cúmplice deste tipo de ingerência na gestão de empresas estatais, apontada pelo presente texto, quem perderá mais vai ser a própria população, e o tal slogan “Petróleo é nosso” vai continuar sendo só slogan. Como diria o sábio economista Roberto Campos: “Os esquerdistas contumazes idólatras do fracasso, recusam-se a admitir que as riquezas são criadas pela diligência dos indivíduos e não pela clarividência do Estado”

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About Wagner

Jornalista, trabalha com assessoria de imprensa e comunicação estratégica; escreve artigos de sobre política econômica para o Jornal Imprensa e é articulista jovem do site do Instituto Millenium. Jornal Imprensa: http://jornalimprensa.com.br/ Instituto Millenium: http://www.imil.org.br/ facebook: http://www.facebook.com/profile.php?id=100002044718065 E-mail: wagneraugusto.vargas@gmail.com

Posted on Fevereiro 17, 2013, in Uncategorized. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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