Menos ao carisma, mais à gestão!

Por Wagner Vargas para o Jornal Imprensa do dia 10/11

A apertada reeleição de Barak Obama despertou uma série de comemorações no Brasil, manifestadas também por internautas em redes sociais. Algo totalmente compreensível, dado o carisma de sua figura e à rejeição ao partido republicano, contraída por tabela, por conta dos absurdos realizados pela doutrina Bush— não que isso faça muito sentido prático, mas aconteceu. Desta vez, o caráter épico da eleição, apesar de alto, foi menor em comparação à primeira eleição de Obama, em que ele foi, praticamente, alçado à condição de semideus que ia salvar a pátria Norte Americana, após devastação de um governo tirano. Mas, e no caso dos brasileiros, será que a maioria que deu seu apoio, ao menos, sabe o quê ou por quê comemora a reeleição de Obama?

Perdoem o pessimismo, mas é muito difícil acreditar que sim. Não que o carisma não seja importante para um chefe de Estado, ao contrário, ele é essencial. Mas o problema é que ele está longe de ser o principal ponto de referência na escolha de um gestor para os recursos públicos e no que supostamente seria o maior articulador político de uma nação. Muitos podem pensar: mas o que isso tem a ver, sendo que a eleição agora foi nos EUA?

Muita coisa, pois é uma postura que reflete uma espécie de “lavanderia das urnas”, em que líderes de massa valem-se do voto para se safar de situações “mal explicadas” que envolvem, diretamente, dinheiro público. No Brasil, esse problema é algo que vem se arrastando desde o auge de Paulo Maluf em seu “rouba, mas faz”, até os dias atuais com Lula que chama de renovação indicar um nome desconhecido que vai fazer a mesma coisa que ele faria, sob suas orientações, inclusive.

Essa questão do carisma não é brincadeira, os comentários das pessoas em blogs como de Zé Dirceu, por exemplo, são de assustar a qualquer pessoa que ainda tenha um pouco do que se chama de bom senso. Existe quem realmente acredite que o mensalão é obra de “imprensa golpista” e que por isso a imprensa teria de ser regulada pelo governo – lê-se censura disfarçada. Essas mesmas pessoas, com certeza, não citam que a imagem de bom moço de Obama traçada pela imprensa de esquerda estadounidense seja golpista. Mas, a apertada disputa e vitória sobre Romney, não significa apenas que a democracia dos EUA possa ser mais eficiente, mas também que o povo norte americano percebeu os erros crassos na gestão de Obama, que, sim, pegou uma herança maldita nas mãos, mas que também “dispunha de condições incomparáveis–aprovação popular em níveis estratosféricos, Congresso favorável etc” (conforme, sabiamente, apontou João Pereira Coutinho em artigo à Folha de S. Paulo nesta semana) e muito falhou nas escolhas para a saída da crise.

As injeções monetárias autorizadas no governo Obama não só triplicaram a dívida norte americana, equiparando-a ao próprio PIB (U$14,4 tri) como fizeram muito pouco em função de seu objetivo que era reduzir o desemprego. A crítica é em relação às escolhas, pois impressão de dinheiro não é sinônimo de riqueza ou de combate ao desemprego, mas sim de aumento de inflação. Não é a toa que o megainvestidor Peter Schieff, que alertou a crise de 2008 anos antes, vem afirmando que os EUA vivem uma situação de Estagflação (estagnação econômica simultânea a inflação). Vale citar também que a crise europeia colocou em xeque justamente esse sistema social que Obama é adepto e que o verdadeiro “sucesso” dos estados intervencionistas está na contração de alta carga tributária e do alto endividamento, respectivamente.

Além das questões econômicas, a mesma cruel base de Guantánamo, tão criticada na época do governo Republicano, ainda sobrevive firme e forte. Fora que, mesmo tendo mérito no término da guerra do Iraque, ainda não se sabe o real motivo de Obama tê-la mantido por mais tempo que o previsto em seu governo e uma boa dica de aposta seria acreditar que foi, assim como Bush, por interesses de poder —algo mais assertivo do que crer no “bom mocismo” em salvação da pátria, que foi digno até de Nobel da Paz enquanto Obama aumentava o número de tropas enviadas à guerra do Iraque.

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About Wagner

Jornalista, trabalha com assessoria de imprensa e comunicação estratégica; escreve artigos de sobre política econômica para o Jornal Imprensa e é articulista jovem do site do Instituto Millenium. Jornal Imprensa: http://jornalimprensa.com.br/ Instituto Millenium: http://www.imil.org.br/ facebook: http://www.facebook.com/profile.php?id=100002044718065 E-mail: wagneraugusto.vargas@gmail.com

Posted on Novembro 11, 2012, in Uncategorized. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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