O partido dos “trabalhadores” e seu caráter metamorfose

Por Wagner Vargas para o Jornal Imprensa  do dia 13/10

 Após a queda repentina de Celso Russomanno para o terceiro lugar nos votos válidos para o primeiro turno da capital, a primeira pesquisa do DataFolha para o 2º turno—  encomendada pela Folha de S. Paulo e pela Rede globo de televisão— aponta Fernando Haddad com 49% das intenções de voto, contra 37% do candidato do PSDB, José Serra. O resultado de Haddad nas urnas já havia sido surpreendente, não apenas por ter obtido 28% dos votos válidos, mas também por estarmos falando da cidade de São Paulo que conta com um eleitorado mais instruído e, portanto, menos favorável à digestão das estranhas ações que membros ligados à alta cúpula do PT protagonizaram em âmbito federal. Estes, por sua vez, não só foram participantes ativos do maior escândalo de corrupção já descoberto, bem como continuam insistindo em negá-lo até as suas respectivas mortes.

 

É complicado avaliar qual é a surpresa maior, se é o favoritismo de Haddad numa cidade como São Paulo ou se é a memória curta das pessoas que se esqueceram do péssimo passado do candidato como gestor, quando ministro de Lula, e de que Haddad é cria daqueles que representam o que há de mais sujo e oportunista no meio político como a turminha do Dirceu, Delúbio Genuíno e companhia. Com exceção dos militantes petistas, as pessoas normais sabem que nada restou da tal agremiação antiga que, em tese, defenderia os mais humildes, pois eram munidos de ideais que teciam pesadas críticas aos corruptos. Esses mesmos “justiceiros sociais” são àqueles que hoje estão com as burras cheias de dinheiro de procedência duvidosa, que envolvem suspeitas de tráfico de influência e corrupção ativa tão estranhas quanto o rápido enriquecimento de Lulinha e sua ex-microempresa e atual gigante e bilionária GameCorp que, por acaso, passou por essa “transição” quando papai era o dono da bola.

 

Muitos ainda diziam que, antes, o PT “tinha ideais”. Não que os devaneios pueris de esquerda devam ser levados a sério, mas, pelo menos, havia honestidade com as próprias ideias que eles defendiam, diferente do atual partido e seus atuais companheiros que (desculpem a expressão) provaram estarem dispostos a vender até própria mãe para terem o poder em suas mãos e a prova cabal desse oportunismo foi a aliança com o, agora condenado a devolver 21 milhões aos cofres públicos, Paulo Maluf. Além de filhote da ditadura, o “Dr.” Salim tem muito a explicar para a justiça e não é só  a do Brasil não, até a Interpool quer  ter uma conversa íntima com ele sobre algumas “histórias que não fecham”. Do ponto de vista ideológico, Maluf, sem querer, deixou ainda mais a mostra a cara de pau de seus amigos petistas ao afirmar que eles estão “à direita” dele próprio, em entrevista ao portal Terra, no último dia 07:

 

“Eles mudaram muito. Defendendo multinacionais que produzem carro e geladeira, eu perto deles me sinto um comunista”, conta Maluf.

 

E que mudança, não? Talvez ele tenha mesmo razão, pois, na semana passada, Lula esteve com Eike Batista para dar uma “ajudinha” ao império X, que bateu apenas ¼ da meta de barris de petróleo anunciada a seus acionistas. Quem, há alguns anos, diria que o comunista de butique, iria ajudar ou se engajar na causa do homem mais rico do país? Incoerências a parte, Lula e seus colegas— talvez a palavra correta deva ser quadrilha— não só encheram as burras de dinheiro, mas também ocupam até hoje alta influência nos mais altos escalões do poder que, ainda bem, não foram capazes corromper a maioria dos juízes do STF. A prova de tal imunidade é que as condenações do mensalão estão tomando forma, apesar da nomeação dos ministros ter passado pelo aval do mesmo presidente que diz que tudo isso é uma mentira.  

 

Já o doutor em marxismo, chamado Haddad não gosta muito de ser vinculado a essa turminha mensaleira, natural, afinal ninguém gosta de mostrar os pontos negativos, não é verdade? Isso custa caro, pode custar voto e perda de poder, o que para o PT é um problema. Mudar de ideologia, mudar de cara (Dirceu que o diga), mudar de palavra, sim, mas, perder poder, não, isso já é algo inadmissível para o dicionário petista. Afinal, identidade e caráter são apenas detalhes, quando se tem poder não é verdade?  Enfim, agora vai depender de São Paulo, é fazer sua escolha e demonstrar se concorda ou não com essa alternância de “detalhes”.

 

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About Wagner

Jornalista, trabalha com assessoria de imprensa e comunicação estratégica; escreve artigos de sobre política econômica para o Jornal Imprensa e é articulista jovem do site do Instituto Millenium. Jornal Imprensa: http://jornalimprensa.com.br/ Instituto Millenium: http://www.imil.org.br/ facebook: http://www.facebook.com/profile.php?id=100002044718065 E-mail: wagneraugusto.vargas@gmail.com

Posted on Outubro 14, 2012, in Uncategorized. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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