Sobre as novas Privatizações

Por Wagner Vargas para o Jornal Imprensa de 18/08

Após algumas medidas paliativas de estímulo chamadas por alguns analistas de “puxadinhos”, o governo Dilma anunciou descobertas históricas nessa semana: percebeu que a infra-estrutura do nosso País não é adequada ao tal do custo Brasil e que, dessa forma, dificilmente haverá um crescimento satisfatório. Genial, não? Tendo em vista as “novidades”, o Governo Federal anunciou na última quarta feira (15) o maior pacote de concessões à iniciativa privada para rodovias e ferrovias que podem movimentar um montante de R$ 133 bilhões e desta vez com o foco na tarifa e não o ágio. Segundo as fontes oficiais, objetivo é crescer 4% em 2013 e gerar cerca de 150 mil novos empregos. Além da aparente mudança no escopo da política econômica, ao reconhecer certa parceria com o setor privado, Dilma tem demonstrado alguma disposição de combater os altos encargos nacionais que encarecem a produção e embargam a competitividade — energia elétrica e impostos sobre a folha de pagamento. Seria esse um sinal de que o governo está acordando?

Não há como negar que, em partes, houve uma evolução na percepção deles em relação à política econômica. Apesar da excessiva demora, o governo petista percebeu que, diferente do que afirmam algumas cartilhas de macro economia, não é muito simples afastar o tal “Espírito Animal” dos empresários. Ou seja, diferente do que prega determinada “religião econômica”, os estímulos ao consumo sem lastro nem sempre dão conta do tal do “Multiplicador”, ainda mais agora que a carona chinesa já não leva o passageiro brasileiro a uma velocidade anual de 7%. Apesar da mudança, o anacronismo “Desenvolvimentista” ainda se faz presente no discurso e a prova disso é a não aceitação do termo privatização e da tentativa de diferenciá-lo do termo concessão. Tal ação não representa apenas um artifício político a fim de evitar resistências na base aliada, mas também faz parte de um dom, que engloba a alta capacidade petista de reescrever a história, sem muito compromisso com a verdade.

Mesmo anunciando essa nova rodada de privatizações, a fim de mitigar o gargalho no setor de transportes, a tentativa de forjar certo planejamento central ainda permanece firme e a prova disso é a criação de mais uma empresa estatal, a Empresa de Planejamento e Logística (EPL). É ela que vai articular as mudanças na infra-estrutura nacional nos moldes do finado Grupo Executivo de Integração e Transportes (Geipot), nascido no ambiente centralizador do governo militar, que talvez não seja o melhor dos exemplos de política econômica a se seguir. Boas intenções a parte, Hayek já dizia há tempos sobre a impossibilidade de um grupo central ter ciência de todas as demandas do mercado. No que se refere aos custos, algumas propostas de desoneração ainda serão anunciadas com mais detalhes, principalmente no setor de energia que, apesar de possuir 80% de matriz renovável, mais barata, é uma das mais caras para o consumidor, graças as impostos.

Outro ponto que necessita de atenção é, novamente, a participação generosa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que poderá subsidiar cerca de 80% dos investimentos com recursos públicos. O mínimo que se espera de uma empresa que vá participar desse tipo de projeto é que tenha condições de captar recursos, portanto, não faz sentido emprestar dinheiro do contribuinte a um valor menor do que o ofertado no mercado, pois um dos sentidos de se privatizar é desonerar o Estado, ao invés de fazê-lo gastar ainda mais.

Enfim, a água bateu no pescoço e Dilma está mudando, em partes, sua visão das coisas mesmo que não assuma. Porém, ainda é cedo para projeções muito otimistas de crescimento ou de geração de emprego, até porque, elementos de anacronia de mentalidade econômica mais centralizadora e protecionista, que só trouxe medidas que não deram certo, permanecem ativos nesse dito cenário de “mudanças” e nesse caso não estamos falando apenas de discurso.

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About Wagner

Jornalista, trabalha com assessoria de imprensa e comunicação estratégica; escreve artigos de sobre política econômica para o Jornal Imprensa e é articulista jovem do site do Instituto Millenium. Jornal Imprensa: http://jornalimprensa.com.br/ Instituto Millenium: http://www.imil.org.br/ facebook: http://www.facebook.com/profile.php?id=100002044718065 E-mail: wagneraugusto.vargas@gmail.com

Posted on Agosto 20, 2012, in Uncategorized. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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