Brasil e Argentina, os campeões em matéria de Protecionismo!

Por Wagner Vargas para o Jornal Imprensa de 16/06/2012

Brasil e Argentina são responsáveis por 75% das barreiras comerciais impostas entre 2009 e 2011 na América Latina! A “acusação” é da consultoria Britânica, Capital Economics, que publicou essas informações em seu relatório: “Latin America Watch”, divulgado nessa semana. Esse cenário gera insegurança nos investidores e restringe aportes em inovação. O grande problema é que essa incerteza não é objeto de pressão popular, pois muitos ainda não compreendem as limitações de empreendedorismo envoltas ao âmbito estatal e sua dinâmica, que é naturalmente mais lenta que a do setor privado. Para o cidadão comum, a ideia central do protecionismo até pode parecer nobre, pois afirma proteger um setor menos favorecido economicamente. Mas, a grande questão é:  quantas vezes essas intervenções dos governos — controle de preços, no Câmbio, subsídio industrial— surtiram efeitos em longo prazo ou de forma sustentável? Quantas delas alcançaram seu objetivo final, que deveria ser a oferta do melhor produto ao menor ao consumidor?

Arrisco afirmar que, se esse tipo de medida deu certo alguma vez, é possível contá-las nos dedos da mão esquerda de Lula. Mas, por que, então, o protecionismo é utilizado por governos de diversas nações, já que ele não funciona? Bom, existe um fator que deixa essa situação em xeque: a pressão popular. Em um sistema democrático é comum, inclusive, ideal, que a opinião pública tenha forte participação e ela faz a diferença. Porém, quase nunca esse tipo de tema é discutido com honestidade intelectual por parte dos governantes que, geralmente, acabam aceitando lobbie de determinados grupos como montadoras, banqueiros, usineiros e etc.

Esses empresários, em muitos casos, não tiveram a capacidade de fazer seus investimentos de forma adequada à reposta do consumidor, ou seja, o planejamento não bateu com a demanda e procuram seus compadres a fim de terem uma “ajudinha”. O consumidor, por sua vez, é seduzido por falácias ou argumentos nacionalistas dos governantes, que encontram uma situação confortável a eles próprios. Na verdade, eles visam agradar um parceiro de determinado setor — que pode vir a ser um futuro financiador de campanha— e, ao mesmo tempo, podem valer-se de mentiras para contar com o apoio da população, mesmo que esta seja prejudicada com preços mais altos, pois ela acredita que vai ter benefícios com isso.

Não é nem necessário expor que a situação econômica da Argentina vai de pior à horrível. Além da inflação estimada em 24%, a projeção de crescimento para esse ano é de 2% ante aos artificiais 7% do ano passado e vale lembrar que o governo de lá, claramente, maquia os dados oficiais. Ou seja, se essas políticas protecionistas do peronismo de Kirschner fossem úteis, a situação econômica seria diferente.

No Brasil, existe, ainda, a questão da alta carga tributária. Portanto, o próprio governo cria o problema, depois toma alguma medida paliativa para “inglês ver” — como “Brasil Maior” e alta de IPI para importados— que nada gera de benefício concreto para o consumidor. O leitor de Tiête compreende bem essa situação, dado que algumas empresas da região estão em recuperação judicial, prevendo demissões, graças à avalanche de produtos chineses e o preço baixo deles. Nesse caso, os altos impostos, que recaem sobre os empreendedores daqui, tem boa parte da culpa, já que o leão abocanha muito e não investe quase nada em infraestrutura, o que também força os produtores a comprarem produtos importados, que são mais competitivos.

Na argentina o autoritarismo não é para principiantes, com direito a ministro da economia que recebe suas visitas com arma sobre a mesa. Sem contar as expropriações— como no caso da petroleira YPF — que, além de gerarem mais custos ao contribuinte, nada mais são do que um roubo. E, diferente do que dizem os petistas, a economia do Brasil não vai bem, nosso governo gasta mais que arrecada e mantém uma burocracia excessiva, que não traz nenhum retorno para a população.

A questão é que os países ricos é que estão muito mal e, por terem uma dinâmica diferente da nossa, os países em desenvolvimento ganharam certo espaço no jogo. Mas essa parte “boa” não tem nada a ver com as medidas tomadas pelo governo federal, mas sim com fatores externos e, se não fossem eles… Quem sabe também não estaríamos com complicações bem mais sérias do que as atuais?

Anúncios

About Wagner

Jornalista, trabalha com assessoria de imprensa e comunicação estratégica; escreve artigos de sobre política econômica para o Jornal Imprensa e é articulista jovem do site do Instituto Millenium. Jornal Imprensa: http://jornalimprensa.com.br/ Instituto Millenium: http://www.imil.org.br/ facebook: http://www.facebook.com/profile.php?id=100002044718065 E-mail: wagneraugusto.vargas@gmail.com

Posted on Junho 16, 2012, in Uncategorized. Bookmark the permalink. 1 Comentário.

  1. muito bom artigo. A questão do protecionismo é realmente bizarra. Proteger o que, de quem? Se a esmagadora maioria são de multinacionais que remetem seus lucros ao estrangeiro? E essas remessas nem passam na mídia, ou se passam, são em artigos longínquos de 3 segundos. “”precisamos defender a FORD do Brazil da ganância capitalista da Ford dos EUA”” (!?). Somos um continente de peões que não tem a mínima noção do que fazem. Mas acreditemos que isso é acidental?

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: