O regime militar, os socialistas e a arrogância fatal de ambos!

Por Wagner Vargas para o Jornal Imprensa de 14/04/2012 

 

Por incrível que pareça, a briga ideológica entre os defensores do regime militar no Brasil e dos defensores do socialismo é algo que ainda ocorre em pleno século XXI. Há duas semanas, alguns integrantes da reserva militar se reuniram no Rio para comemorar o golpe de 1964, se é que existe algo a se comemorar nisso. Essa manifestação gerou uma revolta em alguns esquerdistas que, por sua vez, tentaram impedi-la com cuspes e tentativas de agressão aos ex-militares. Quem seria mais incoerente, àquele que sofreu a lavagem cerebral de partidos como PSTU, PC do B e PT ou àquele que caiu no conto pró-militar, que ainda acha que sociedade tinha mais “ordem” ou era mais “patriota” nessa época?

Os dois compactuam de uma incoerência que até astrofísicos ou matemáticos teriam dificuldade de quantificá-la. Apesar de ser nobre criticar os crimes cometidos pelo regime militar brasileiro, isso é algo que perde completamente o sentido quando, ao mesmo tempo, se é a favor de um regime socialista, que não passa de outra maneira de tirania. Os dois modelos de governo foram responsáveis por milhares de mortes, principalmente porque não consideravam a presunção de inocência em seu modelo de justiça. Na prática, isso serviu apenas para oprimir e taxar de criminosos os cidadãos que pensavam diferente de seus governantes.

Os manifestantes de esquerda também foram autoritários em suas recentes ações, pois tentaram impedir uma manifestação simplesmente porque ela defendia ideais divergentes dos deles e dizer que “estou ao lado do bem”, não é desculpa para impedir a liberdade de expressão ou para cometer agressões, os fins não justificam os meios. Aliás, essa é a mesma atitude arrogante utilizada pelos militares durante a ditadura. Defender o socialismo criticando o regime militar ou vice-versa é algo tão absurdo quanto defender a liberdade de expressão e andar na rua com uma camiseta de Che-guevara, uma figura completamente desequilibrada, disposto a matar qualquer “inimigo” da revolução— alguma semelhança com os nossos militares do AI-5?

Do ponto de vista econômico, o socialismo e a ditadura militar são regimes centralizadores que acreditam que o Estado é o principal impulsionador do desenvolvimento. No entanto, as empresas mais eficientes dificilmente são públicas e isso não parece ser coincidência. Alguns vão mais longe, afirmando que a maioria das empresas, que depois foram privatizadas por falta de eficiência administrativa, nem se quer existiriam no capitalismo sem o investimento do Estado. Algo falso, pois, nos EUA, grandes setores como o siderúrgico e o ferroviário não nasceram das mãos do Estado, mas sim do privado.

No Brasil, apesar de sua contribuição indireta para consolidação do capitalismo, o regime militar se refletiu em um crescimento insustentável, chamado de “milagre econômico” que de milagre mesmo não teve nada, a não ser o impulso que essas políticas promoveram na hiperinflação dos anos 80, mais conhecida como década perdida. Ligar o regime militar a um modelo de capitalismo é outra falácia, pois essa ditadura foi responsável por criar uma série de monopólios, que extinguiram a competição e agrediram a liberdade individual, uma vez que o poder de escolha do consumidor passa para as mãos do Estado, que acaba escolhendo os empresários “vencedores”, privilegiados por subsídios ou descontos de impostos. Esse cenário torna o regime militar brasileiro ainda mais próximo das ditaduras de esquerda do que do capitalismo.
Para os socialistas, lutar a favor da desigualdade de renda justifica o que Marx chamou de ditadura do proletariado, a fim da extinção das classes sociais. Uma visão bem reducionista que resume a história da humanidade na luta de classes. Já os militares brasileiros justificavam a falta de liberdade política de seu regime, dizendo que “salvaram” o Brasil dos comunistas. Ambos são contaminados pelo o que o economista, Friedrich V. Hayek, chamou de Arrogância fatal. Hayek apresentou o quão absurda é essa crença de que o ser humano tem o poder de moldar o mundo de acordo com as suas vontades ou ideologias e o quanto isso levou a criação de sociedades catastróficas ou açougues humanos.

Para ele, meia dúzia de burocratas não consegue prever os rumos de um sistema econômico, nem mesmo encontrar as “falhas” no mercado e corrigilas com “canetadas” apenas, pois as informações são dinâmicas e estão difundidas entre diferentes agentes, colocando o Estado como um mal necessário, e que, por isso, não pode ser grande. No dia 23 de março desse ano, completaram-se 20 anos da morte desse senhor que foi prêmio Nobel de economia em 1974, que continua mais atual do que nunca.

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About Wagner

Jornalista, trabalha com assessoria de imprensa e comunicação estratégica; escreve artigos de sobre política econômica para o Jornal Imprensa e é articulista jovem do site do Instituto Millenium. Jornal Imprensa: http://jornalimprensa.com.br/ Instituto Millenium: http://www.imil.org.br/ facebook: http://www.facebook.com/profile.php?id=100002044718065 E-mail: wagneraugusto.vargas@gmail.com

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