A China e o Câmbio são os maiores problemas da indústria brasileira?

Por Wagner Vargas para o Jornal Imprensa de 24/03

Em um cenário econômico marcado pela turbulência mundial, determinados fatores da economia brasileira juntamente às injeções de liquidez dos Europeus— e dos norte americanos— e as manobras dos Chineses com sua moeda,  tem contribuído para desvalorização do Dólar, que chegou registrar 4,6% no acumulado do ano, segundo o governo Brasileiro. Esses fatores, principalmente em um cenário de crise, somados aos altos juros nacionais tem promovido uma valorização excessiva do Real e tem contribuído para encarecer àquilo que é produzido no Brasil, gerando uma pedra no sapato de nossa indústria.

Essa situação  tirou o sono de nossos governantes e levou a presidenta Dilma a se reunir, essa semana em Brasília, com as 28 figuras mais importantes do empresariado nacional, como banqueiros, varerijistas e representantes da Federação das indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). Dilma foi pedir mais investimentos, por parte deles, na economia e, ao mesmo tempo, assegurar o “controle” no câmbio. Ou seja, de acordo com essa ótica, o problema da indústria Brasileira estaria, principalmente, ligado ao câmbio e é essa a lógica que o governo pretende seguir para tomar algumas medidas ou devo dizer o “arsenal infinito de medidas que temos” como alega o ministro Mantega. Seria esse o maior dos problemas? Resolvendo, ou melhor, controlando o câmbio voltamos a ter uma indústria competitiva?

Controlar o câmbio não necessariamente funcionaria. Primeiro que é completa ingenuidade achar que é possível, efetivamente, controlar algo e vários economistas concordam que uma economia forte raramente combina com moeda fraca. Segundo que, essas políticas intervencionistas ou protecionistas, apresentam resultados a curto prazo apenas. Acreditar nessa história de que o governo tem poder para salvar a economia em momentos de crise, não passa de falácia e as grandes depressões e crises mundiais estão aí para comprovar isso.

Mas, por incrível que pareça, Dilma e Mantega não se equivocam quando alegam que a valorização do real tem gerado problemas para a competitividade da indústria brasileira, o que é básico nesse caso. O impacto da alta do câmbio na indústria nacional é significativo, porém, está longe de ser a única e talvez nem seja a maior causa do problema nessa situação, mas sim uma conseqüência de má gestão de recursos públicos. A maior dificuldade de nosso país é outra: “o custo Brasil” e isso quer dizer que precisamos, urgentemente, de reformas estruturais no país!

Nossa infra-estrutura é manca, os gastos estatais são excessivos, a educação, principalmente a técnica, é fraca e os custos direcionados à folha de pagamento são muito altos. A energia elétrica é uma das mais caras do mundo— estamos em quarto lugar—, por exemplo, e a nossa carga tributária chega a 36% PIB juntamente com uma burocracia absurda com cerca de 70 tipos diferentes de tributo.Quem deseja empreender aqui sabe que, se registrar um funcionário, vai ter o dobro de custos com encargos trabalhistas e terá de enfrentar uma legislação bem antiga. Sem contar a corrupção que é facilitada nesses regimes, como o nosso. A presença de um Estado agigantado tem colocado muitos “companheiros” nos cargos comissionados e isso é freqüente, ou seja, são fatores que, dificilmente, serão resolvidos com mais intervenções ou medidas protecionistas.

Apesar de Dilma reconhecer alguns desses problemas e tentar promover desonerações setoriais, como o plano Brasil Maior, essa questão ainda é  complicada. Além de ser cedo para qualquer afirmação, esse plano paliativo já gera controversas, pois os acordos iniciais entre governo e empresas citavam uma alíquota de 0,8% que, no entanto, o governo determinou o fechamento em 1,5% sob a receita bruta das companhias.Essa mudança teria levantado a polêmica de que um terço da indústria têxtil foi prejudicada e estaria pagando ainda mais depois desta forma.

Além das medidas setorias, os incentivos ao consumo sem lastro— consumo sem poupança — os pedidos e as garantias aos empresários para  que invistam mais ou a adoção de medidas protecionistas como as do mercado de vinho, que é o que nossos governantes tem feito, não constroem uma resolução sustentável se o governo não fizer as reformas estruturais necessárias. O Brasil é um país muito fraco em poupança, cerca de 17% apenas. Arrecada-se muito, mas gasta-se muito também, quase tudo vai para consumo e o investimento fica em torno 1%. Essa lógica acaba fazendo com que tudo saia mais caro para o consumidor, que, além dos altos impostos, também fica refém de altos preços e sendo obrigado trabalhar, pelos menos, 4 meses do ano só para pagar esses impostos.

A capacidade que nosso governo tem em achar apenas um vilão para um problema de difícil resolução como esse de nossa indústria— que depende também de fatores da conjuntura internacional— é incrível e passa longe do bom senso e do diagnóstico mais correto. A nossa taxa de juros ainda está alta em 9,5% e isso contribui para a valorização de nossa moeda. Mas, ainda sim, estamos falando de algo  mais complexo do que parece, pois o Dólar registrou alta nessa quinta feira, chegando a R$ 1,90. Baixar os juros ,como vem fazendo o Banco Central, contando que a crise mundial baixe os preços e a inflação, ainda geram tanta incerteza quanto as medidas protecionistas no câmbio e na indústria. Portanto, as reformas estruturais, o investimento em educação, o corte de gastos e a diminuição burocracia, por parte do Estado,  são muito bem vindas.Esse seria o melhor caminho,até porque, o tal “assédio dos  produtos importados” só ocorre por falta dessas reformas… como diria a sábia piada:  “o médico, quando erra num diagnóstico, mata no varejo. Já o economista, quando erra, mata no atacado”. O brasileiro não precisa de proteção— lê-se protecionismo—  a não ser do mau que lhe é feito por seu próprio governo.

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About Wagner

Jornalista, trabalha com assessoria de imprensa e comunicação estratégica; escreve artigos de sobre política econômica para o Jornal Imprensa e é articulista jovem do site do Instituto Millenium. Jornal Imprensa: http://jornalimprensa.com.br/ Instituto Millenium: http://www.imil.org.br/ facebook: http://www.facebook.com/profile.php?id=100002044718065 E-mail: wagneraugusto.vargas@gmail.com

Posted on Março 24, 2012, in Uncategorized. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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