A revolução ditatorial na América Latina

Por Wagner Vargas para o Jornal imprensa de 10/03

A liberdade de imprensa e a independência jornalística fazem parte dos principais pilares de uma democracia. Essenciais para o exercício da cidadania, servem de munição para sua principal arma: o voto. Essas afirmações soam como óbvias para muitas pessoas, porém os atuais “líderes” da América Latina, que o governo PT tanto gosta, ainda acreditam que voto popular lhes dá o direito de controlar a imprensa e a justiça. Há pouco tempo, o presidente do equador, Rafael Correa, conseguiu fazer com que a justiça de seu país condenasse, em primeira instância, três jornalistas a pagar uma multa de US$ 40 milhões para Correa, com direito a mais três anos de cadeia a eles. O “crime” dos profissionais de mídia foi alegar que o presidente é um ditador em artigo para o jorn al El Universo. Mas será que o jornal estava errado?

É óbvio que não estava. As atitudes de Correa nesse caso e sua admiração pelo modelo venezuelano não deixam dúvida de que ele é sim um Ditador— sem contar que ele perseguiu e multou outros dois escritores de um livro que denunciava um esquema de tráfico de influência em que ele e seu irmão estariam envolvidos. Mas, se todo cidadão, em tese, é a favor da democracia e da liberdade de imprensa, por que existem tantos desavisados que ainda apoiam Hugo Chávez, Fidel Cástro, Evo Moráles e outros tiranos?

Apesar dos absurdos, esses ditadores não são burros, ao contrário, tanto que Correa voltou atrás em sua decisão após as críticas e, com certeza, não foi por arrependimento. Esses populistas sabem lidar com a massa.Nenhum chefe de Estado é maluco ao ponto de dizer abertamente que é contra a democracia. Em geral, o discurso deles sustenta a existência de um inimigo maior como o tal do “imperialismo norte americano” e costumam declarar apoio à erradicação da fome e ao crescimento do país apesar de, na prática, as coisas serem bem diferentes.

A presidente Dilma se diz uma defensora da liberdade de imprensa e não são poucos que acreditam nisso. No entanto, algumas atitudes de seu governo deixam transparecer, de vez em quanto, o lobo que está por trás da fantasia de cordeiro. Basta olharmos seu apreço pela centralização políticoeconômica e as tentativas de criar conselhos de “regulamentação” para a mídia brasileira, a ideia falaciosa do Estado Babá que sabe o que é melhor para seus cidadãos. Há também aquelas regras um tanto quanto autoritárias do então o PNDH— plano nacional dos direitos Humanos.

Em nome da qualidade informativa e dos direitos humanos, tenta-se fazer valer a vontade política do governo. Afinal, quem é que se declara contra os direitos humanos? Seria um pouco ingênuo acreditar que existe um representante ou um comitê nacional capaz de regulamentar a imprensa sem ter seus próprios interesses políticos. Vale lembrar também daquele jornalista estadounidense Larry Rohter que foi impedido de entrar no Brasil, após ter feito uma matéria que não agradou o então presidente Lula. Sem contar que, na última viagem da presidente Dilma a Cuba, ela evitou tocar no quesito direitos humanos, já que seu colega Fidel poderia ficar incomodado com a situação.

As pessoas tendem a “baixar a guarda” para os que se dizem comprometidos com causas nobres— mesmo que se faça o oposto — e a ideologia coletivista gosta do famoso “abra mão de si próprio para uma causa maior”, principalmente os esquerdistas. A população alemã, fragilizada com os resultados da primeira guerra, fez isso há algumas décadas e acabou criando o Nazismo, dando voz a Hitler. Assim como os líderes latinos, ele foi eleito democraticamente e, com certeza, essa não é a única semelhança deles com o ditador austríaco. Todos eles— Hitler, Stálin, Mao e os latinos Fidel, Che Guevara, Lula, Dilma, Moráles e Correa— obtiveram efetivamente um grande apoio popular.

O pior é que muita gente ainda anda com imagens de Guevara estampadas em suas camisetas. Infelizmente, a maioria delas não deve ter idéia das atrocidades que essa figura incoerente e completamente cega por ideologia foi capaz de fazer para “libertar” as pessoas do capitalismo… Essa arte de defender os próprios interesses e declarar “causas nobres” o PT já aprendeu a exercer faz um bom tempo. Agora, vai do senso crítico de nós brasileiros, pois, se demorarmos um bocado para abrir os olhos, correremos o risco de acordar dentro de uma Venezuela, uma Cuba ou um Equador. Por ora, não fomos proibidos de pensar !

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About Wagner

Jornalista, trabalha com assessoria de imprensa e comunicação estratégica; escreve artigos de sobre política econômica para o Jornal Imprensa e é articulista jovem do site do Instituto Millenium. Jornal Imprensa: http://jornalimprensa.com.br/ Instituto Millenium: http://www.imil.org.br/ facebook: http://www.facebook.com/profile.php?id=100002044718065 E-mail: wagneraugusto.vargas@gmail.com

Posted on Março 17, 2012, in Uncategorized. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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