Estado,o falso gerador de riqueza

 Por Wagner Vargas para o Jornal imprensa do dia 26/11/2011

Quando há rastros de turbulência financeira, economistas tentam definir a forma mais eficaz de alocar recursos, conduzir políticas públicas e descobrir quais os motivos de uma crise. Neste cenário de “derretimento” do Euro e crise fiscal, aparecem discussões sobre a importância da participação do Estado nesse processo. Será que um governo é capaz de evitar uma recessão? Estímulos governamentais como a impressão de papel moeda e baixas taxas de juros são capazes de tirar algum país de uma crise ou apenas injetam sedativos que inibem a  realidade? Estas perguntas estão ligadas diretamente à possibilidade do acúmulo de capital e do fluxo de crédito,ou seja, à capacidade de uma determinada nação de gerar riqueza.

Apesar de apresentarem melhoras na economia a curto prazo, as políticas de estímulos, conhecidas como anticíclicas, podem promover graves distorções no mercado. A riqueza de uma nação é gerada por acúmulo de capital, confiança, tecnologia, mão de obra qualificada, cont role da inflação, gastos responsáveis, infra-estrutura, leis claras que promovam confiança e um modelo tributário que não onere empregados e empregadores. O Estado até pode ajudar a evitar uma crise, para isso, basta caber dentro de suas contas, proibir a existência de monopólios — estatais e privados — estimular a competitividade, regular os contratos e garantir a propriedade privada e a democracia. No entanto, a impressão de papel moeda e a maior quantidade da mesma em circulação não querem dizer, necessariamente, que aquele país esteja mais rico.

Alguns economistas acreditam que o Estado deve corrigir as oscilações ou “as falhas do mercado”. Porém, o capitalismo é muito mais complexo do que  supõe o senso comum míope, de esquerda, que diz que a crise é culpa da ganância dos banqueiros, da liberalização financeira ou que as taxas de juro e os preços estão mais altos porque determinado setor ganha mais. Análogo a um jogo, o mecanismo de preços tem a função informar os jogadores sobre as oscilações entre a oferta e a demanda de um produto para que se descubra a melhor maneira de se alocar recursos. Sabendo-se que estas informações estão pulverizadas e dependentes do fator tempo, será mesmo que meia dúzia de burocratas do governo têm a capacidade de encontrar onde estão essas  tais “ imperfeições do mercado” ? É, no mínimo, muita ingenuidade e prepotência. O economista Rodrigo Constantino já vem alertando que essa definição artificial de preços é feita a todo instante, quando algum chefe do Banco Central resolve manipular a taxa de juros, como aconteceu com Allan Greenspan nos EUA.

Ademais, há uma crença de que imprimir moedas vai tirar seu país do buraco.Em 2008, dizia-se que os estímulos do governo norte americano evitariam que taxa de desemprego do país chegasse a 9%, na época em 6%. Hoje, dois anos e meio mais tarde,  já foram gastos 3 trilhões de dólares em estímulos, só nos EUA, com taxas de juros próximas a zero, mas o desemprego chega a 10%. E agora?  Essa semana, perguntei ao ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega sobre  algumas medidas do Banco Central dos EUA e do Brasil nos últimos anos. Segundo economista, não havia muitas alternativas no primeiro caso. Já em relação ao Brasil, ele, sabiamente, afirmou que um BC não deve fazer apostas, nem promover o crescimento, mas sim, garantir a estabilidade monetária. Maílson afirmou que é muito cedo para acreditar que a crise externa vai fazer a inflação brasileira convergir para a meta. Acrescento que é, ainda, mais difícil acreditar que não é Dilma que manda no Banco Central.

Outro grande problema desta crise é o tal capitalismo de Estado, herança dos franceses. Como afirmou ironicamente o diretor de investimentos da Vale, Roberto Castello Branco “enquanto os chineses estão lutando para diminuir sua jornada de trabalho para 35 horas por dia, os franceses reclamam por trabalhar 35 horas por semana”. A criação de privilégios estimulou a irresponsabilidade fiscal na Europa, principalmente, na Grécia e na Itália. No Brasil temos os “campeões nacionais” como no caso JBS freeboi, escolhida pela governo para receber mais de 3 bilhões de reais do BDNES, a taxas bem menores do que as praticadas no mercado. Essa simbiose entre Estado e setor privado, que favorece determinados grupos, é financiada pelo erário e quem paga a conta é sempre o cidadão. Essa estrutura centralizadora tem demonstrado uma inibição à competitividade, algo bem diferente de um mercado livre e não tem fomentado riqueza.

Como diria o economista Bastiat em “A  lei”, obra de 1850, não adianta quebrar uma janela como se fosse algo positivo, achando vai  gerar mais demanda agregada ou empregos para os que produzem vidros, pois esta nova demanda é artificial, foi distorcida e não vai se sustentar. Parecem coisas diferentes, mas percebe-se uma semelhança com o discurso do governo brasileiro quando diz que a Copa do Mundo vai gerar investimentos  e empregos… Adivinhem só quem vai pagar a conta depois?

Confira esta edição na íntegra no site do Jornal Imprensa:

http://jornalimprensa.com.br/pdf/Jornal%20Imprensa%20dia%2026%20de%20novembro.pdf?edicao=pdf%2FJornal+Imprensa+dia+26+de+novembro.pdf

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About Wagner

Jornalista, trabalha com assessoria de imprensa e comunicação estratégica; escreve artigos de sobre política econômica para o Jornal Imprensa e é articulista jovem do site do Instituto Millenium. Jornal Imprensa: http://jornalimprensa.com.br/ Instituto Millenium: http://www.imil.org.br/ facebook: http://www.facebook.com/profile.php?id=100002044718065 E-mail: wagneraugusto.vargas@gmail.com

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