Crise financeira? É só chamar Dilma, a conselheira.

Crise financeira?  É só chamar Dilma, a conselheira.

Por Wagner Vargas

 

Dilma Roussef novamente demonstrou seu desconhecimento sobre o  atual cenário econômico. Não satisfeita, deixou transparecer o velho ar de pedantismo, ao dar conselhos de governança corporativa para os Líderes da União Européia. O mais curioso foi afirmar que o Brasil está à disposição para ajudá-los a sair da crise. Que tal socorrer a Itália, cujo PIB per capita é apenas três vezes nosso? Para Dilma, a ausência de regulação do sistema financeiro foi a causa da crise e ela clamou para que deixem de lado a rigidez fiscal, a austeridade e ainda criticou o protecionismo na ONU.  Será que estamos tão bem assim para dar pitos ou conselhos em qualquer outra nação?
    A resposta é clara: não. O governo brasileiro perdeu, novamente, uma grande oportunidade de ficar quieto. Em primeiro lugar, não é verdade que, na Europa, houve ausência de regulamentação financeira, mas sim, uma regulamentação ineficaz e este nem é o  principal motivo da crise. A união monetária européia deu lastro para que governos da Grégia, Itália, Irlanda Espanha e Portugal adquirissem empréstimos, imprimissem moeda e efetuassem gastos excessivos, apoiando-se em países ricos como França e Alemanha. Isto ocorreu porque o Euro é um projeto político e não econômico e a causa da crise, dentre vários motivos, está relacionada a uma tentativa de centralização monetária que estabeleceu uma paridade cambial e inflacionária completamente artificial. Isto quer dizer que o Estado desenvolvimentista, centralizador e assistencialista, tão aclamado pelo governo brasileiro, está com todas as impressões digitais nesta crise.
Do ponto de vista da austeridade fiscal, o conselho da presidenta para que se pare de cortar gastos, até aparenta ser coerente. Porém, a Europa está passando por uma crise fiscal e os EUA é um bom exemplo de que as “medidas anticíclicas”, descritas no manual keynesiano, não surtem resultado positivo. Obama gastou o que podia e o que não podia, imprimiu dinheiro e o desemprego continua altíssimo e sem muitas expectativas. Por que na Europa funcionaria?  O jornal Financial times chamou a atitude da presidenta Dilma de hipócrita, afinal, “o país que está em 152º lugar no ranking do Banco Mundial por seu pesado sistema tributário e está dando conselhos sobre impostos restritivos.” Afirmou, de maneira sábia, a repórter do jornal.
As críticas de Dilma Roussef ao protecionismo, também, soaram estranhas. Os petistas acabaram de aumentar o IPI dos carros importados, medidas que colocarão nossa credibilidade internacional e a qualidade dos produtos nacionais em xeque. Sem contar a taxação de até mais 30% do IOF para derivativos– anunciada há pouco pelo ministério da fazenda– e as intervenções câmbiais diárias do BC, que atualmente tem uma autonomia duvidosa. Definitivamente, o governo brasileiro não é o melhor exemplo para falar protecionismo, menos ainda de governança corporativa. O que endividou a Europa foi permitir a ingerência política sobre questões técnicas e o excesso de gastos e a centralização Estatal. Ambas medidas estão sendo adotadas pelo “novo desenvolvimentismo” do Estado brasileiro. Que tal encarar a realidade e limpar a própria casa— muito suja—  antes de apontar sujeira na casa do vizinho?

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About Wagner

Jornalista, trabalha com assessoria de imprensa e comunicação estratégica; escreve artigos de sobre política econômica para o Jornal Imprensa e é articulista jovem do site do Instituto Millenium. Jornal Imprensa: http://jornalimprensa.com.br/ Instituto Millenium: http://www.imil.org.br/ facebook: http://www.facebook.com/profile.php?id=100002044718065 E-mail: wagneraugusto.vargas@gmail.com

Posted on Outubro 20, 2011, in Uncategorized. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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