Independência ou morte? Dilma prefere a segunda opção

Por Wagner Vargas para o jornal Imprensa do dia 10/09/11

A falta de independência é assídua aqui no Brasil, como todos sabem, muitas vezes, o corriqueiro torna-se “correto” ou justificável do ponto de vista do governo. A decisão do Banco Central de dar uma paulada nos juros de 0.5 para baixo colocou a autonomia do órgão em discussão. O problema é que quando um órgão técnico cede a pressões políticas, quem perde é o brasileiro, que vai ter de arcar com isto adiante. É muito simples, o político toma decisões embasadas em sua projeção imagética e na de seu partido a fim de adquirir mais votos ou manter seu mandato. A ação do BC ocorreu dois dias depois que Mantega, Dilma e outros ministros afirmaram avistar uma brecha para baixar os juros e, desta vez, o comunicado oficial sobre a reunião do Copom mudou de cinco linhas para duas páginas. “Coincidências” a parte, resta saber, teria sido um ato visionário ou apenas uma medida populista irresponsável?

Infelizmente, o cenário aponta para a segunda opção. Nossa taxa SELIC realmente é a mais alta do mundo— agora em 12%— e baixá-la pode fomentar o crescimento do país, pois o próprio Estado paga estes altos juros em suas dívidas. Porém, para que uma medida dessas seja efetuada corretamente não significa que haja a necessidade de negligenciar o controle da inflação. Ou seja, para ocorrer um corte da SELIC de maneira prudente é essencial que se promova um corte de gastos no orçamento para evitar um crescimento excessivo na demanda, uma hipótese nada nova e que o PT odeia falar sobre.Nosso ministério da fazenda dá aulas de como não se age com perfil técnico—assim como os regentes do BNDES— ele anunciou que iria economizar R$10 bi para utilizar no superávit primário, como se isso, em um orçamento de mais de R$1 trilhão, fosse algo realmente impactante. Detalhe, o que Mantega chamou de “economia” deve ser lido como “excesso de arrecadação”, afinal de contas é para isso que o brasileiro trabalha até maio, para pagar impostos.

Inconfidência e o caminho da servidão no Brasil

Apesar de não ter falado em emancipar-se efetivamente da metrópole portuguesa em 1789, a inconfidência mineira foi nosso primeiro movimento de ação independente. Entre outros motivos ele ocorreu por conta do pagamento do quinto–- 100 arrobas de ouro anuais, ou 20% de tudo que era extraído. Hoje o Brasileiro se acha independente e paga quase 40% sob o PIB. Aceita isso numa boa, até acredita que o Brasil realmente está bem, pois faz uma analogia simplória à economia mundial. Vale lembrar que a crise atual advém de uma ineficiência na gestão de recursos, em grande parte das centralizações econômicas  e dinheiro jogado no ralo por governos como Bush, Obama e os Europeus que suscitaram numa crise fiscal. Caso achemos normal essa gastança do governo Dilma o caminho do Brasil não será diferente.

Em um ambiente de infra-estrutura precária, altos encargos trabalhistas, cargos públicos dados aos “companheiros”, reajuste salarial de 100% uma vez por ano de parlamentares e do judiciário são ações assistidas passivamente pelos brasileiros. O governo diz ainda que precisa de mais dinheiro para a saúde… Presidenta, nosso país bateu recorde de arrecadação de tributos, foram R$ 90 bi no mês passado. Afirmar que não há dinheiro para algum setor, nada mais é do que a prova da uma ineficiência administrativa. O aumento do salário mínimo acima da inflação é um aumento da bomba relógio implantada na previdência, outra medida política em detrimento de um crescimento sustentável, pois educar a população que valor nominal e crédito não são sinônimos de riqueza dá muito trabalho, portanto é mais fácil fazê-los acreditar no contrário, achando que efetuar compras é simplesmente a prova de que a economia vai bem.

O argumento do BC para a decisão do Copom é baseado numa aposta de que o mundo entrará numa recessão, que o valor das commodities vai declinar e que a China vai diminuir o ritmo, o que irá acalmar nossas taxas inflacionárias. Porém, mesmo que seja um acerto é muito ousada para o momento porque a crise atual tem um contexto diferente da de 2008. A baixa nos preços não vem ocorrendo, pois a demanda asiática por alimentos ainda continua aquecida, sem contar que, o Brasil não só está fora da meta de inflação como o IPCA e o IGP-DI bateram recorde este mês, com 0,37% e 0,61% respectivamente. Isto significa que, em doze meses, a inflação acumulada até agosto é de 7,23%— bem acima dos 2 pontos percentuais da margem de erro sobre os 4,5% (6,5%) ao ano— e agora o vilão não é o setor de alimentos, mas sim o de serviços. Do ponto de vista técnico, baixar os juros agora, em um cenário que o crédito cresce a 20%, talvez não seja a medida mais prudente.

Falar de independência no Brasil, infelizmente, só se for para fazer piada sem graça, pois temos um cenário de excesso de leis, medidas provisórias que trancam a pauta do já ineficiente congresso, alta carga tributária, serviços públicos capengas, infra-estrutura risível e todas as outras provas da inabilidade administrativa de nosso governo perdulário. Em 7 de setembro de 1822, o Brasil deixou de ser colônia, mas manteve o representante da metrópole no poder, a estrutura agrária continuou a mesma e a escravidão manteve-se até 1888. Guardadas as devidas proporções a coisa não mudou muito, ainda somos escravos em partes por nossa própria ignorância e inépcia nas urnas e porque aceitamos a escravidão dos impostos… Ademais, a moda agora pode ser a ingerência política no BC!

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About Wagner

Jornalista, trabalha com assessoria de imprensa e comunicação estratégica; escreve artigos de sobre política econômica para o Jornal Imprensa e é articulista jovem do site do Instituto Millenium. Jornal Imprensa: http://jornalimprensa.com.br/ Instituto Millenium: http://www.imil.org.br/ facebook: http://www.facebook.com/profile.php?id=100002044718065 E-mail: wagneraugusto.vargas@gmail.com

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