O Sobe e desce das Bolsas

O Sobe e desce das Bolsas

Por Wagner Vargas, para o jornal Imprensa dia 27/08/11

 O tal “salvamento” que os Estados proporcionaram às economias, não só faria o mundo sair da recessão, como evitaria um novo colapso financeiro. No entanto, as inconsistências políticas nos EUA e a crise fiscal européia instauraram um cenário típico de aversão ao risco nos investidores, provocando uma volatilidade nas bolsas de valores do mundo. Isto mostrou que a realidade não é tão simples assim e que uma nova crise está por vir. O rebaixamento da nota dos títulos do tesouro norte americano, que demonstra menor confiança na capacidade do país em honrar suas dívidas, não só aumentou as apostas no ouro, mas, paradoxalmente, o mesmo ocorreu com os títulos estado-unidenses. Por quê?

É simples, falta de opção! Num cenário de desconfiança, os investidores resguardam-se onde é mais seguro e, apesar do rebaixamento, os EUA continuam a ter os títulos mais seguros nos mercado, ou seja, basta que liguem a máquina e se imprima mais dinheiro, pois o dólar é o lastro econômico do mundo. O problema dos norte-americanos não é a falta de divisas para honrar compromissos, mas sim a dificuldade de impulsionar seu crescimento econômico, pois a taxa de desemprego ainda permanece alta. Ademais, o Fed já deu evidências de que vai manter sua política monetária frouxa e as baixíssimas taxas de juros até meados de 2013, pelo menos. Isto significa mais liquidez no mercado, ou seja, dinheiro mais barato circulando.

Nesse sobe e desce das bolsas, destacaram-se notícias como as “perdas”do mexicano Carlos Slim— dono da Claro e do grupo Telmex— e o do brasileiro Eike Batista, respectivamente de U$ 8 bi em quatro dias e quase U$ 2bi em um só dia. Porém, vale lembrar que, apesar do montante gigantesco, o homem mais rico do mundo e o mais rico Brasil não perderam dinheiro efetivamente, mas sim, os papéis de suas companhias desvalorizaram-se devido à volatilidade no mercado, mas financeiramente, ambos, vão muito bem obrigado!

Keynnesianos flertam com as histórias da carochinha

 Apesar da crise na social democracia européia, governos como Obama e Dilma, por questões eleitoreiras, ainda defendem um governo perdulário. Tais questões apóiam-se em princípios neokeynnesianos mancos de que gasto seria sinônimo de desenvolvimento e que o corte na gastança comprometeria a evolução do crescimento. O economista Paul Krugman tem sido porta-voz de tais absurdos, o então Nobel de economia em 2008 escreveu em 2010 que “A Europa é uma verdadeira lição, na verdade é o oposto do que os conservadores alegam: a Europa é um sucesso econômico, e o sucesso mostra que funciona a democracia social”. Provavelmente, ele teve contato com os extraterrestres—os quais ele pediu ajuda para economia, no canal CNN no dia 14/08—há mais tempo.

Este tipo de teoria praticamente ignora o real funcionamento da micro-economia e fornece justificativas teóricas para que políticos irresponsáveis rasguem dinheiro.O erro dos keynnesianos vai além de duvidar da  existência da estagflação a partir dos anos 30— estagnação econômica simultânea a inflação— já prevista desde 1912 por Mises e perpetrada nos anos 70. O manual keynesiano diz que o governo deve estimular a economia em épocas de recessão e recolher os estímulos durante a bonança. Porém, apesar dos inúmeros problemas dessa política, nosso governo faz algo ainda pior, ignorando a segunda parte que se refere aos cortes de quando o super aquecimento aparece.

Em 2009-10, não por acaso, anos de véspera de eleição, houve uma redução da taxa de juros e um aumento acelerado dos gastos públicos. Isto fez, segundo tal teoria, que o Brasil crescesse 7% e Dilma se elegesse. Já 2011, uma bela briga com as metas de inflação, contas públicas fora do controle e segundo consultoria Tendências, o Brasil crescerá menos que 4%. Valeu a pena forjar o crescimento para colher as conseqüências agora? Depende, para o PT, valeu, pois Dilma foi eleita, mas para o brasileiro a resposta é não. Primeiro vale lembrar que o bom desempenho da economia brasileira não advém de nenhuma medida interna, mas sim de fatores exógenos, como excessivo aumento do valor das commodities impulsionado pelos chineses. Outro ponto importante é que o Brasil, só cabe nas contas graças à excessiva carga tributária, como diria o saudoso economista Rodrigo Constantino “temos uma carga tributária escandinava com serviços públicos africanos”.

No próximo dia 7, Dilma fará um pronunciamento na TV e no rádio sobre a crise mundial a fim conter o “pânico dos eleitores” — lê-se evitar a perda de popularidade. A idéia é mostrar que o Brasil tem muitas reservas de mais de U$300 bi e está melhor do que nunca para enfrentar esta crise. As informações não serão falsas, porém o direcionamento delas é preocupante, pois, Dilma utilizará a situação de relativa estabilidade do Brasil na economia— que, reitero, advém de uma série de fatores externos e não de medidas do governo— para justificar seus gastos astronômicos mantendo o recorde de cargos de confiança, aumentos de salários de algumas categorias do funcionalismo público e do salário mínimo, acima da inflação… Presidenta, aumento gastos e corte dos juros são duas coisas que não casam!

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About Wagner

Jornalista, trabalha com assessoria de imprensa e comunicação estratégica; escreve artigos de sobre política econômica para o Jornal Imprensa e é articulista jovem do site do Instituto Millenium. Jornal Imprensa: http://jornalimprensa.com.br/ Instituto Millenium: http://www.imil.org.br/ facebook: http://www.facebook.com/profile.php?id=100002044718065 E-mail: wagneraugusto.vargas@gmail.com

Posted on Agosto 27, 2011, in Uncategorized. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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